terça-feira, 1 de novembro de 2011

Comentário crítico

Olá pessoal!

A atividade de hoje (3/11) será uma produção textual!! Mas... uma produção textual diferente... Uma atividade "às avessas"...

Em vez de vocês produzirem um texto a partir de uma proposta que eu tenha elaborado para me entregarem e eu avaliar, vocês lerão um texto que eu produzi e farão comentários críticos! Elaborei o artigo de opinião abaixo a partir da proposta que eu fiz a vocês. A atividade deve ser realizada individual ou em dupla. Vocês terão que postar o comentário, de, no mínimo, 10 linhas, a essa postagem. A atividade vale nota.

O comentário será avaliado pela capacidade do aluno em fazer uma boa análise do texto, demonstrando criticidade, o que não significa apontar defeitos ou elogiar, mas, com base em critérios consistentes, elaborar um bom comentário crítico (de avaliação da adeauação ao gênero, avaliação do teor argumentativo do texto, encadeamento lógico das ideias, uso de operadores argumentativos, de modalizadores, articulação entre os parágrafos, uso de recursos coesivos, vocabulário, etc)

Boa avaliação!


Igualdade na diversidade: discussão necessária

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade” afirma o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Baseada nesse documento, a Constituição Brasileira inicia o artigo quinto do capítulo primeiro, que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos, reforçando o ideal da igualdade: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Se a ideia de igualdade está no cerne de dois importantes documentos que regem as leis tanto em nível nacional quanto internacional, por que ainda lutamos contra a discriminação de alguns grupos sociais, como os homossexuais?
A resposta parece-nos paradoxal: porque muitos indivíduos não aceitam tratamento de igualdade aos que seriam considerados “desiguais” ou “diferentes”. E quem seriam os “diferentes”? Aqueles que fogem à norma social, julgada por discursos hegemônicos – ou dominantes – , cujo parâmetro corresponde a homem, branco, heterossexual, de classe média ou alta. No entanto, na era pós-moderna, grupos minoritários – ou “minoritarizados” (pois não se trata de quantidade de indivíduos, mas de sua representação diante do status quo social) – têm reivindicado seu lugar na sociedade, buscando sua condição de igualdade, de dignidade. Foi com o objetivo de promover tal relação de igualdade que o MEC produziu um material pedagógico composto pelo caderno do educador, boletins e vídeos sobre a temática da homossexualidade para ser trabalhado nas escolas públicas brasileiras. O veto da presidente Dilma Rousseff, sob o discurso de que não é intenção do Estado “fazer propaganda de opções sexuais”, gerou grande polêmica em torno da questão: deve-se elaborar materiais pedagógicos para trabalhar com a temática da homossexualidade nas escolas?
Obviamente, os que mantêm uma postura preconceituosa em relação aos homossexuais repudiam essa ideia, como o deputado Jair Bolsonaro, que, no dia da votação do Projeto de Lei 122, que visa à criminalização da homofobia, imprimiu 50 mil cópias de panfletos que atacam os direitos dos gays, como um alerta aos pais para que “seu filho não se torne gay”. Sem entrarmos na discussão sobre a atitude preconceitousa de Bolsonaro, a polêmica maior, a nosso ver, diz respeito aos que se colocam como defensores dos homossexuais e, sob o mesmo argumento de defesa, posicionam-se a favor e contra a proibição do uso de materiais pedagógicos que abordem a temática em sala de aula.
Muitos endossam o discurso de que, ao se abordar o tema em sala de aula, com materiais pedagógicos específicos para tanto, a homossexualidade não estaria sendo concebida de forma natural. É comum ouvirmos de pessoas que defendem esse posicionamento que, se a homossexualidade deve ser concebida de maneira natural, se queremos igualdade – e não discriminação – aos homossexuais, focar o assunto seria um contrassenso, pois o que é natural não precisa ser discutido, não precisa ser ensinado.
Ora, se existem tantas demonstrações de preconceito contra os homossexuais, como podemos dizer que a homossexualidade é encarada como natural? Natural para quem? Certamente, não para todos, como almejamos. Ignorar a existência da desigualdade de tratamento dispensada a esse grupo é tão perverso para a manutenção da discriminação quanto as manifestações de preconceito. Enquanto ainda houver grupos que condenem o homossexualismo é necessário, sim, discutir sobre o assunto, para que não haja voz que dê coro ao discurso preconceituoso.
E por que na sala de aula? Porque é responsabilidade dessa esfera social a formação de opinião dos indivíduos. A escola, mais do que reprodutora – concepção das teorias críticas da década de 70 – é também produtora da cultura, construtora de conhecimento. Por isso, ao se introduzir no currículo escolar e trabalhar, de maneira crítica, com o tema da homossexualidade, iremos formando, geração após geração, sujeitos conscientes da necessidade de se celebrar – mais do que tolerar – a diversidade.
Ancoramo-nos nas palavras do educador Antônio Nóvoa, segundo o qual, se a sociedade não está preparada para, sozinha, promover tal conscientização, é preciso que a escola assuma esse trabalho educativo.

Marília Curado Valsechi é mestre em Linguística Aplicada pela Unicamp. Professora universitária da rede estadual de ensino e também da rede particular da Educação Básica.

4 comentários:

  1. O texto está bem elaborado, de forma que defende bem a tese de que a questão do homossexualismo deve ser discutida nas escolas. A citação da Declaraçao dos Direitos Humanos endossa o discurso anti-preconceito com bons argumentos. A crítica à atitude do Deputado Jair Bolsonaro reforça o argumento de que ainda há preconceito em nossa sociedade. Também a crítica aos que pensam que o assunto deve ser tratado com naturalidade leva o leitor a refletir sobre o assunto analisando os dois lados da discussão.
    Além disso, o uso dos operadores argumentativos é adequado, o texto está coeso e coerente de acordo com a proposta. Poderia ter citado a questão da interferência da religião no Estado, se posicionando criticamente à essa atitude.

    Alunos: Gabriel Martins nº 11 e Robera Baroli nº27

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Podemos notar adequação do gênero solicitado pois através de argumentos convincentes, expõe bem a opinião que quis transmitir para os leitores. A linguagem está de acordo com o tema retratado, sem ter uma opinião preconceituosa em relação ao assunto. Não fugiu do tema ao qual foi proposto. Apresentou uma consistência temática boa, apresentando argumentos para relatar a sua opinião e também defende a visão de que pessoas não terão capacidade de aceitar com naturalidade a homossexualidade. E a relação coesão/coerência está bem elaborada.

    Alunos: Guilherme Ohno n.13 e Guilherme Fernandes n.14

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  4. O texto está coeso e coerente com os conectivos sendo utilizados de maneira correta, os argumentos são fortes e principalmente as citações como da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o texto de certo modo pela sua extensão gera um sentimento de monotonia ao leitor, mas isso é apenas um detalhe refutável.
    Leandro A. Faustino nº19

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