domingo, 18 de setembro de 2011

A vaidade do homem moderno

Logo que acordo, vou direto ao banheiro, lavo o rosto para me despertar, escovo os dentes e tomo banho. É óbvio que, para um bom banho, é preciso usar um bom sabonete, xampu e condicionador para deixar os cabelos mais soltos e macios.

A cada dois dias, é preciso fazer a barba para manter o rosto lisinho. E como imaginar o ato de barbear sem o essencial creme de barbear de menta? Ele evita a irritação da pele, suaviza, barbeia e deixa uma gostosa sensação refrescante na pele. E não posso esquecer do creme pós-barba, também para evitar a irritação.

Outro item importante na prateleira masculina é o gel, imprescindível para todo homem que quer um penteado bonito fixo o dia todo.

Um outro cosmético que uso religiosamente é o desodorante. É impossível vestir uma camisa sem antes passar o tão sagrado desodorante (mas tem que ser um que não irrita as axilas e não marca a roupa).

Emfim, o que citei agora são apenas os itens de sobrevivência básica do homem moderno. Nós precisamos também frequentar a academia para manter a forma, depilar os pelos do corpo, estar com as unhas sempre bem cuidadas e sempre usar uma boa roupa. (da moda, de preferência) que valorize o corpo.

Pois é, e por mais que a sociedade condene todas essas atitudes julgando-as um tanto afeminadas, as pessoas deveriam entender que assim como as mulheres se arrumam para outras mulheres, nós, homens, também nos arrumamos para elas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Como escrever uma crônica?

-Fiiiiilha, acorda! São 6:20 já, você vai se atrasar!
Com esse chamado, tento abrir meus olhos e levantar, afinal, mais um dia da minha adorável rotina está começando. Com a maior preguiça do mundo e, numa velocidade equiparada a de um tartaruga, tomo meu café da manhã, me arrumo, coloco o uniforme e lá vou eu para minha tortura matinal.
Para começar o dia muito bem, a primeira aula é de produção textual, a matéria cuja função é me deixar de recuperação! Como estamos no último bimestre, se eu não tirar uma nota acima de oito agora, já posso trazer o peru para comemorar o Natal e até, quem sabe, fazer minha matrícula como uma adorável repetente!
O professor entrou na sala todo animado, com um monte de textos e livros, e não parou de falar um minuto. Ele explicava alguma coisa que eu nem ouvia, porque eu estava numa conversa muito importante com a Lu, minha melhor amiga. Mas, fiquei quieta no exato momento em que ele pronunciou as seguintes palavras: "Então é isso, pessoal, vocês vão ter que escrever uma crônica para amanhã, valendo como a nota do bimestre."
E esse foi o fim do mundo para mim. Já não bastasse ter que escrever um texto para o dia seguinte, para ficar ainda melhor, o monte de letras que acabaria com a minha vida era uma crônica. UMA CRÔNICA!! Eu não gosto nem de escrever uma dissertação, em que a única coisa que tenho que fazer é defender minha opinião, que dirá uma crônica, que tem que imaginar. Eu não sou uma pessoa com uma imaginação muito fértil e não sei escrever isso, para falar a verdade, não sei direito como escrever esse tipo de texto, pois eu não prestei atenção na aula. Estou definitivamente perdida, ou melhor, repetida, já que ano que vem estarei no primeiro ano do ensino médio novamente!
Desesperada, começo a pedir para as pessoas as anotações que o professor passou sobre este temido gênero textual e, passo o resto das aulas tentando aprender sobre o assunto. Chego em casa, almoço rapidamente e sento na minha escrivaninha para começar a escrever. Segundo fui informada, o tema era livre, mas a crônica, conforme havia entendido das anotações dos meus amigos, se baseia em fatos cotidianos, coisas interessantes que acontecem na nossa vida ou, até mesmo, em notícias de jornais.
Começo a pensar sobre os fatos interessantes da minha vida. Percebo que não tem nada demais, não coisas que eu compartilharia com o professor, afinal, imagina se eu contasse das fofocas que fiquei sabendo sobre um pessoal da escola, ou sobre meu conturbados romance com o Fê, ou sobre minhas loucuras com minhas amigas. Com certeza, seriam histórias que teriam muita repercussão, iria ser a nova J.K. Rowling, mas são coisas particulares, não vou escrever isso para todo mundo ficar sabendo.
Decido, então, ler o jornal, para ver se acho uma notícia interessante. Procurei, procurei e o único jornal que achei na minha casa era de um mês atrás. Perfeito! Peguei aqui e, MINHA NOSSA SENHORA, QUANTA LETRA, cansei só de olhar! Porém, por um bem maior, começo a procurar por alguma coisa que me provocasse uma "reflexão sobre algo do dia-a-dia". Não achei nada interessante e, no meio da minha expedição, o telefone tocou. Era a Lu e, bem, como tinham muitos babados, acabei ficando uma hora e meia no telefone. Agora eu realmente precisava achar alguma coisa naquele jornal e o mais rápido possível.
Finalmente, depois de um alonga busca, encontrei uma notícia de uma mulher que tinha pedido sepração do marido, pois ele era muito vaidoso. Achei aquilo a coisa mais bizarra e resolvi tentar escrever uma crônica humorística sobre o assunto. A grande questão agora era: como começar?
Ligo o computador e coloco no Google: "como começar uma crônica". Enquanto abria a página, resolvi checar meu facebook, formspring, orkut, postar uns desabafos no twitter, conversar com a galera no msn, até que me lembrei do bendito intuito de eu ter ligado meu computador. Começo a ler uns textos que tinham aparecido, mas nada parecia bom o suficiente para o começo da minha redação. Precisava de algo perfeito!
Decido desligar o computador e tomar um banho, para ver se aparecia uma luz no fim do túnel, enquanto eu relaxava debaixo da água quente. Tenho, então, uma ideia sensacional, me enxugo rapidamente e saio correndo, ainda meio molhada, pela casa. Como quase não sou desastrada, levo um tombo e minha perna começa a sangrar.ÓTIMO, era tudo que eu precisava. Nessa situação, tive que perder meu preciosos tempo fazendo curativo e tentando fazer parar de doer aquele corte. Acabei esquecendo a minha ideia genial.
Um pouco melhor, sento na cadeira, porém não acho meu lápis, fico um tempo procurando e, quando finalmente acho, o interfone toca e tenho que ir pegar uma encomenda lá embaixo. Quando estou subindo, as luzes se apagam e o elevador para. Pronto, agora eu estava presa no elevador, sozinha, com um corte na perna, no escuro, com uma encomenda que tinha um cheiro hirrível e com minha escrivaninha me esperando, com uma folha de papel em cima, no qual deveria ser escrita um crônica.
Durante a uma hora em que fiquei presa, consegui ter uma ideia muito boa para escrever a crônica, ela estava praticamente pronta na minha cabeça, acho que o Chico Xavier tinha baixado em mim. Cheguei em casa e fui escrever. Foi o melhor texto que escrevi em toda minha vida, iria tirar uma ótima nota e não iria repetir de ano. Era bom demais para ser verdade.
Deixei a folha em cima da minha cama e fui jantar. Quando voltei, encontrei pedacinhos de papel picados pelo meu quarto inteiro, olhei para baixo e vi Damon, meu cachorro, com a única coisa que restava da minha crônica em sua boca: o pedaço em que meu nome estava escrito.
Nunca quis tanto matar alguém em toda minha vida, o que eu iria falar para o professo? "Meu cachorro comeu minha redação professo, aliás, era um texto magnífico, o senhor iria gostar". Óbvio que não iria adiantar, eu já havia dado essa desculpa uma vez, entretanto, agora era realmente verdade.
Desesperada, decido entregar uma cópia desse desabafo para o professor e, tudo que posso dizer, é que o primeiro dia de aula do segundo colegial está sendo maravilhoso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Infidelidade Onírica

Tudo começou com um choro de mulher no apartamento vizinho. Era por volta das seis e meia da manhã - eu ainda tomava meu café - quando ouvi a mesma moça gritando e chorando. Não me assustei. Ela provavelmente estaria brigando com outro namorado, o que era muito frequente.
Eu não estava bisbilhotando, era simplesmente inevitável escutá-la. Frases como "E eu pensava que você fosse diferente! Mas não, vocês são todos iguais!". O tal homem tentava em vão acalmá-la. Ela chorava.
Comecei a me perguntar se ela tinha algum problema. Afinal, aquela deveria ser a quarta ou quinta vez que ela acordava em prantos e expulsava o namorado com a mesma ladainha. "Não é da minha conta", pensei. Fez-se silêncio.
De súbido ouvi ruídos como o de vidros se quebrando. O homem, já sem a paciência de antes, começou a gritar: "Você é louca! Não pode fazer isso! Pare!". Ela chorava ainda mais alto.
"Droga, tenho que me mudar logo daqui", lembrei. O lugar era terrivelmente barulhento. Qualquer tentativa de concentração era um fracasso. E eu ainda corria o risco de ser chamada de intrometida se tentasse interferir ou ajudar de algum modo. Impossível me manter no meu estado zen.
Agora era possível perceber que ela atirava as roupas dele pela janela, enquanto ele berrava: "O quê você quer que eu diga? Que estava bêbado? Que sinto muito por algo que..." - Não pude entender o restante da frase. Mas era visível que se tratava de traição, como das outras vezes.
Olhei para o relógio: Sete horas. Senti um certo alívio ao trancar a porta, e desci as escadas, disposta a recomeçar o dia. Porém esse alívio foi logo interrompido por um estrondo, seguido do barulho do homem descendo as escadas, revoltado. Passou por mim murmurando palavras impublicáveis. "Por Deus!", pensei.
- Curioso, não? - Era Dona Irma, outra vizinha que surgira, percebendo meu espanto.
- Mas o quê há de errado por aqui? Por que essa pobre moça não consegue achar sequer um homem fiel?
- Fiéis eles são... - Disse ela em tom misterioso.
- Então...? - A velha fitava o além. - Qual é o problema? - Perguntei outra vez, preocupada vendo que iria me atrasar.
- Eu disse que eles são fiéis. Nos sonhos dela é que não são.
- Como assim? - Perguntei por impulso, apesar de ter entendido bem.
- É isso mesmo. A moça sonha que o rapaz a trai, e assim que acorda quer tirar satisfações com ele. Ou seja, faz esse escarcéu.
Sem saber o que dizer, simplesmente saí, pensando: "Poxa vida... E eu preocupada em estar zen!"

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dislexia

- Henrique, entregue esse bilhete ao porteiro do Residencial Maria Botelho, peça para ele entregar para a moça do 202, em mãos.
Henrique faz o que Ricardo lhe pediu. Mais tarde Cida chega ao prédio onde mora e o porteiro lhe dá um envelope e diz:
- Dona Cida, pediram para lhe entregar em mãos.
- Obrigado, seu Zé... Mas quem mandou? Não tem remetente.
- Um moço, mas não disse o nome e nunca o vi.
- Tudo bem, obrigado.
Ela sobe ao seu apartamento e abre o envelope. Nele está escrito:
"Querida, estou com saudades, estarei esperando por você no lugar de sempre às 8h, beijos do seu bebê."
Local de sempre? Meu bebê? Que coisa doida!Acho que o seu Zé se enganou. Resolve descer até a portaria.
- Seu Zé, acho que o senhor se enganou, não é pra mim não.
- A senhora não é do 202?
- Sim.
- Então está certo!
Enquanto Cida continua a se questionar sobre o bilhete e dando graças a Deus por seu marido não ter chego antes dela e pego o bilhete, na rua em frente ao prédio:
-Era esse aqui, né Ricardo? - Pergunta Henrique, apontando pra o Residencial Maria Betânia, onde Cida mora.
- Não! É o Residencial Maria Botelho!
- Entreguei...

A BSH

Hoje acordei cedo como de costume fui direto direto para a cozinha, aqueci a água para preparar o café e fui para a padaria. No caminho de volta, a banca de revistas já estava aberta, então resolvi comprar o bom e velho jornal semanal.
Esportes, como sempre polêmicas sobre doping, técnicos que vão e voltam. Na manchete do Jornal, gráficos imensos e um título maior que o normal escrito "E.U.A enfrenta nova crise financeira". Como isso pode acontecer? Afinal os E.U.A. são os maiores credores, a grande potência mundial. Enquanto três páginas do jornal ilustravam tudo sobre o mercado econômico dos países desenvolvidos, quase nada se falava sobre os efeitos colaterais que os países subdesenvolvidos sofriam com a crise.
A crise financeira abalou o cenário econômico dos E.U.A., porém os problemas sociais que isso gera não afeta todas as economias da mesma maneira e como sempre, a corda arrebenta do lado mais fraco.
Permaneci lendo. Quando cheguei a última página do jornal vi uma sucinta reportagem sobre 29 mil crianças que morreram de fome na Somália, informando que a subsecretária para Assuntos Humanísticos das Nações Unidas havia conseguido menos da metade do dinheiro necessário para o combate à fome, esta ainda afirmava que a crise não havia atingido seu ponto máximo, o que dificultava ainda mais essa arrecadação.
Fiquei perplexo, pois afinal a mídia diante de uma situação dessa dava maior destaque para os danos sofridos pelos americanos enquanto os pobres somalianos deveriam se contentar com uma mera e minúscula reportagem, a qual poderia despertar o instinto humano para fazer doações para reverter essa situação de fome e miséria.
A crise atinge alguns no bolso e outros no estômago e, de fato, é o bolso quem preenche a manchete.
Terminei de ler, refleti e cheguei à conclusão de que o humanismo fechou em baixa na BSH, Bolsa de Sentimentos Humanos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Regressão

Hoje,talvez,possa dizer que o tão esperado dia chegou. Depois das meras lembranças que passaram a minha cabeça pude lembrar da imagem da mamãe acenando com o olhar triste ao me deixar pela primeira vez na escola. O sentimento ficou até nostálgico ao me lembrar das sextas-feiras separando e arrumando os brinquedos para poder levar para o “dia dos brinquedos”. E a hora do soninho...ai, a hora do soninho...todos ali deitados, ouvindo aquela velha história, apenas relaxando e esperando o sono chegar.
Porém os anos se passaram, primeiro veio as trocas de professores, depois se acostumar a não chamar mais o professor de “tio” afinal, não era legal ficar ouvindo: ”ele é irmão do seu pai ou da sua mãe ?”.Por fim, acabaram com o “dia dos brinquedos”,agora era o “dia oficial das Provas”.Mas como nos adaptamos com tudo nessa vida,não foi difícil se acostumar com aquela nova fase.
Agora,sentada aqui nessa carteira,posso até falar que tudo passou rápido,daqui a alguns anos,lá na sala da faculdade,posso até lembrar desse momento e dizer:”Nossa como já faz tempo aquele meu ultimo dia de aula em que eu estava escrevendo aquela crônica para a professora de técnica de redação”.Talvez até sinta saudade dos meus amigos que prometeram não se afastar,das pequenas e bobas preocupações com as provas,das risadas depois de uma bela carcada.
Pensando bem,apesar de reclamar todos os dia e pedir que estes últimos momentos aqui na escola chegasse,não sei se estou feliz em,hoje,deixar parte da minha vida e partir para uma nova e,espero,surpreendente fase.Mas,como dito,nos adaptamos com, tudo nessa vida e agora vai ser apenas mais um aprendizado.