sábado, 12 de novembro de 2011

PARA A PROVA DE REDAÇÃO DA UNICAMP

Olá pessoal!

Para os que vão prestar a Unicamp amanhã, atentem-se para:

PROPOSIÇÃO – se estão cumprindo a proposta solicitada pela prova;
INETRLOCUÇÃO – se o texto está compatível para o interlocutor, se há marcas de interlocução que nos permitem afirmar que tal texto, de fato, tem aquele público como interlocutor.
GÊNERO – se o texto atende ao gênero solicitado.
No caso da proposta do comentário para a MTV, por exemplo, vão observar se o candidato:

Na proposição: interpretou os dados do gráfico apresentado, analisando duas permanências e duas mudanças de valores da geração jovem, nos três anos pesquisados, e colocou-se a respeito do que esse gráfico de valores mostra, ou seja, argumentando se identificou-se, ou não, com o perfil revelado pela pesquisa.
Interlocução: um JOVEM escreve para MTV
Gênero: COMENTÁRIO para um site

Os três textos são obrigatórios, meninas e meninos!!!

Atenção!!! NÃO LEVEM CELULAR PARA A PROVA, É PROIBIDO! MESMO QUE DESLIGADO, O CANDIDATO QUE LEVAR CELULAR SERÁ DESCLASSIFICADOOO!!

ÓTIMA PROVA A TOD@S!!!

E NÃO SE ESQUEÇAM DE ME CONTAR COMO FORAM DEPOOOIS!!!

BEIJOSSS!!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ostáculos no combate à homofobia


Algo que tem gerado muita discussão atualmente são os assuntos envolvendo homofobia. Diversos casos de agressões contra homossexuais geraram discussões que culminaram em um projeto de lei que criminaliza a homofobia, além da possibilidade da distribuição de um material didático, apelidado de kit-gay, que trata do assunto nas escolas públicas com o intuito de conscientizar crianças e jovens da naturalidade do homossexualismo visando diminuir os casos de homofobia. O tal kit continha cartilhas falando acerca da homoafetividade e um DVD contendo vídeos sobre o tema. Contudo, esse kit não foi aprovado, inclusive a presidente Dilma Rousseff se pronunciou dizendo que nenhum órgão do governo poderá fazer "propaganda de opções sexuais" ( aliás, o termo "opção sexual" é errôneo uma vez que isso não depende da escolha do indivíduo, o correto seria "orientação sexual"). Também não podemos dizer que o kit fazia propaganda de "opções sexuais" já que a idéia de "propaganda" remete à propagação, ou seja, à disseminação de algo que se espera ser acatado pelo público. Isso mostra que nossa presidente não está devidamente esclarecida sobre o assunto, pois a intenção do kit seria promover o respeito entre héteros, homo e bissexuais, e não influenciar os estudantes da rede pública a escolher a sua sexualidade.

Apesar disso, não se pode negar que o kit anti-homofobia continha vídeos fortes e desnecessários, porém o veto total do kit foi uma atitude radical, o que deveria ter sido feito é um veto parcial, ou seja, os vídeos poderiam não ser distribuídos, mas as cartilhas sim, com o intuito de promover a discussão do tema entre os estudantes aumentando assim a tolerância aos homossexuais. Contudo, não se pode agradar a todos sempre e sabemos que existe no Congresso a bancada religiosa, que é contra qualquer atitude que favoreça os homossexuais. Essa bancada, querendo nós ou não, tem muita força no Congresso e acaba, muitas vezes, atrapalhando o avanço de projetos, como o kit anti-homofobia ou a PLC 122, que visam apenas promover a paz e o respito a diversidade sexual, minimizando a intolerância.

Não podemos dizer que o veto total do kit foi uma atitude homofóbica, mas, de certa forma, foi uma afronta à laicidade do Estado, pois sendo o Brasil um Estado laico, nenhuma decisão deveria ser tomada tomando por base os conceitos de uma determinada religião, ainda que esta seja dominante no país. Pensando nisso, diversos grupos têm se organizado, através das redes sociais, promovendo marchas pelo Estado laico de fato, para que a religião não venha intervir nas decisões do Governo, atrasando ou até impedindo a aprovação de projetos como a lei que criminaliza a homofobia, que foi apresentado em 12 de dezembro de 2006 e até hoje não foi aprovado por causa da grande polêmica criada em cima dele por parte da bancada religiosa.

Enfim, a nossa esperança é de que o nossos políticos passem a pensar mais nos direitos humanos ao invés de tentar sempre agradar aos religiosos e que, futuramente, sejam tomadas decisões mais democráticas para que não hajam mais casos de preconceito em nossa sociedade e possamos um dia viver num Brasil onde todos sejam visto como iguais.

Gabriel Martins Vital de Lima, estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Santa Teresa

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Comentário crítico

Olá pessoal!

A atividade de hoje (3/11) será uma produção textual!! Mas... uma produção textual diferente... Uma atividade "às avessas"...

Em vez de vocês produzirem um texto a partir de uma proposta que eu tenha elaborado para me entregarem e eu avaliar, vocês lerão um texto que eu produzi e farão comentários críticos! Elaborei o artigo de opinião abaixo a partir da proposta que eu fiz a vocês. A atividade deve ser realizada individual ou em dupla. Vocês terão que postar o comentário, de, no mínimo, 10 linhas, a essa postagem. A atividade vale nota.

O comentário será avaliado pela capacidade do aluno em fazer uma boa análise do texto, demonstrando criticidade, o que não significa apontar defeitos ou elogiar, mas, com base em critérios consistentes, elaborar um bom comentário crítico (de avaliação da adeauação ao gênero, avaliação do teor argumentativo do texto, encadeamento lógico das ideias, uso de operadores argumentativos, de modalizadores, articulação entre os parágrafos, uso de recursos coesivos, vocabulário, etc)

Boa avaliação!


Igualdade na diversidade: discussão necessária

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade” afirma o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Baseada nesse documento, a Constituição Brasileira inicia o artigo quinto do capítulo primeiro, que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos, reforçando o ideal da igualdade: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Se a ideia de igualdade está no cerne de dois importantes documentos que regem as leis tanto em nível nacional quanto internacional, por que ainda lutamos contra a discriminação de alguns grupos sociais, como os homossexuais?
A resposta parece-nos paradoxal: porque muitos indivíduos não aceitam tratamento de igualdade aos que seriam considerados “desiguais” ou “diferentes”. E quem seriam os “diferentes”? Aqueles que fogem à norma social, julgada por discursos hegemônicos – ou dominantes – , cujo parâmetro corresponde a homem, branco, heterossexual, de classe média ou alta. No entanto, na era pós-moderna, grupos minoritários – ou “minoritarizados” (pois não se trata de quantidade de indivíduos, mas de sua representação diante do status quo social) – têm reivindicado seu lugar na sociedade, buscando sua condição de igualdade, de dignidade. Foi com o objetivo de promover tal relação de igualdade que o MEC produziu um material pedagógico composto pelo caderno do educador, boletins e vídeos sobre a temática da homossexualidade para ser trabalhado nas escolas públicas brasileiras. O veto da presidente Dilma Rousseff, sob o discurso de que não é intenção do Estado “fazer propaganda de opções sexuais”, gerou grande polêmica em torno da questão: deve-se elaborar materiais pedagógicos para trabalhar com a temática da homossexualidade nas escolas?
Obviamente, os que mantêm uma postura preconceituosa em relação aos homossexuais repudiam essa ideia, como o deputado Jair Bolsonaro, que, no dia da votação do Projeto de Lei 122, que visa à criminalização da homofobia, imprimiu 50 mil cópias de panfletos que atacam os direitos dos gays, como um alerta aos pais para que “seu filho não se torne gay”. Sem entrarmos na discussão sobre a atitude preconceitousa de Bolsonaro, a polêmica maior, a nosso ver, diz respeito aos que se colocam como defensores dos homossexuais e, sob o mesmo argumento de defesa, posicionam-se a favor e contra a proibição do uso de materiais pedagógicos que abordem a temática em sala de aula.
Muitos endossam o discurso de que, ao se abordar o tema em sala de aula, com materiais pedagógicos específicos para tanto, a homossexualidade não estaria sendo concebida de forma natural. É comum ouvirmos de pessoas que defendem esse posicionamento que, se a homossexualidade deve ser concebida de maneira natural, se queremos igualdade – e não discriminação – aos homossexuais, focar o assunto seria um contrassenso, pois o que é natural não precisa ser discutido, não precisa ser ensinado.
Ora, se existem tantas demonstrações de preconceito contra os homossexuais, como podemos dizer que a homossexualidade é encarada como natural? Natural para quem? Certamente, não para todos, como almejamos. Ignorar a existência da desigualdade de tratamento dispensada a esse grupo é tão perverso para a manutenção da discriminação quanto as manifestações de preconceito. Enquanto ainda houver grupos que condenem o homossexualismo é necessário, sim, discutir sobre o assunto, para que não haja voz que dê coro ao discurso preconceituoso.
E por que na sala de aula? Porque é responsabilidade dessa esfera social a formação de opinião dos indivíduos. A escola, mais do que reprodutora – concepção das teorias críticas da década de 70 – é também produtora da cultura, construtora de conhecimento. Por isso, ao se introduzir no currículo escolar e trabalhar, de maneira crítica, com o tema da homossexualidade, iremos formando, geração após geração, sujeitos conscientes da necessidade de se celebrar – mais do que tolerar – a diversidade.
Ancoramo-nos nas palavras do educador Antônio Nóvoa, segundo o qual, se a sociedade não está preparada para, sozinha, promover tal conscientização, é preciso que a escola assuma esse trabalho educativo.

Marília Curado Valsechi é mestre em Linguística Aplicada pela Unicamp. Professora universitária da rede estadual de ensino e também da rede particular da Educação Básica.

domingo, 18 de setembro de 2011

A vaidade do homem moderno

Logo que acordo, vou direto ao banheiro, lavo o rosto para me despertar, escovo os dentes e tomo banho. É óbvio que, para um bom banho, é preciso usar um bom sabonete, xampu e condicionador para deixar os cabelos mais soltos e macios.

A cada dois dias, é preciso fazer a barba para manter o rosto lisinho. E como imaginar o ato de barbear sem o essencial creme de barbear de menta? Ele evita a irritação da pele, suaviza, barbeia e deixa uma gostosa sensação refrescante na pele. E não posso esquecer do creme pós-barba, também para evitar a irritação.

Outro item importante na prateleira masculina é o gel, imprescindível para todo homem que quer um penteado bonito fixo o dia todo.

Um outro cosmético que uso religiosamente é o desodorante. É impossível vestir uma camisa sem antes passar o tão sagrado desodorante (mas tem que ser um que não irrita as axilas e não marca a roupa).

Emfim, o que citei agora são apenas os itens de sobrevivência básica do homem moderno. Nós precisamos também frequentar a academia para manter a forma, depilar os pelos do corpo, estar com as unhas sempre bem cuidadas e sempre usar uma boa roupa. (da moda, de preferência) que valorize o corpo.

Pois é, e por mais que a sociedade condene todas essas atitudes julgando-as um tanto afeminadas, as pessoas deveriam entender que assim como as mulheres se arrumam para outras mulheres, nós, homens, também nos arrumamos para elas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Como escrever uma crônica?

-Fiiiiilha, acorda! São 6:20 já, você vai se atrasar!
Com esse chamado, tento abrir meus olhos e levantar, afinal, mais um dia da minha adorável rotina está começando. Com a maior preguiça do mundo e, numa velocidade equiparada a de um tartaruga, tomo meu café da manhã, me arrumo, coloco o uniforme e lá vou eu para minha tortura matinal.
Para começar o dia muito bem, a primeira aula é de produção textual, a matéria cuja função é me deixar de recuperação! Como estamos no último bimestre, se eu não tirar uma nota acima de oito agora, já posso trazer o peru para comemorar o Natal e até, quem sabe, fazer minha matrícula como uma adorável repetente!
O professor entrou na sala todo animado, com um monte de textos e livros, e não parou de falar um minuto. Ele explicava alguma coisa que eu nem ouvia, porque eu estava numa conversa muito importante com a Lu, minha melhor amiga. Mas, fiquei quieta no exato momento em que ele pronunciou as seguintes palavras: "Então é isso, pessoal, vocês vão ter que escrever uma crônica para amanhã, valendo como a nota do bimestre."
E esse foi o fim do mundo para mim. Já não bastasse ter que escrever um texto para o dia seguinte, para ficar ainda melhor, o monte de letras que acabaria com a minha vida era uma crônica. UMA CRÔNICA!! Eu não gosto nem de escrever uma dissertação, em que a única coisa que tenho que fazer é defender minha opinião, que dirá uma crônica, que tem que imaginar. Eu não sou uma pessoa com uma imaginação muito fértil e não sei escrever isso, para falar a verdade, não sei direito como escrever esse tipo de texto, pois eu não prestei atenção na aula. Estou definitivamente perdida, ou melhor, repetida, já que ano que vem estarei no primeiro ano do ensino médio novamente!
Desesperada, começo a pedir para as pessoas as anotações que o professor passou sobre este temido gênero textual e, passo o resto das aulas tentando aprender sobre o assunto. Chego em casa, almoço rapidamente e sento na minha escrivaninha para começar a escrever. Segundo fui informada, o tema era livre, mas a crônica, conforme havia entendido das anotações dos meus amigos, se baseia em fatos cotidianos, coisas interessantes que acontecem na nossa vida ou, até mesmo, em notícias de jornais.
Começo a pensar sobre os fatos interessantes da minha vida. Percebo que não tem nada demais, não coisas que eu compartilharia com o professor, afinal, imagina se eu contasse das fofocas que fiquei sabendo sobre um pessoal da escola, ou sobre meu conturbados romance com o Fê, ou sobre minhas loucuras com minhas amigas. Com certeza, seriam histórias que teriam muita repercussão, iria ser a nova J.K. Rowling, mas são coisas particulares, não vou escrever isso para todo mundo ficar sabendo.
Decido, então, ler o jornal, para ver se acho uma notícia interessante. Procurei, procurei e o único jornal que achei na minha casa era de um mês atrás. Perfeito! Peguei aqui e, MINHA NOSSA SENHORA, QUANTA LETRA, cansei só de olhar! Porém, por um bem maior, começo a procurar por alguma coisa que me provocasse uma "reflexão sobre algo do dia-a-dia". Não achei nada interessante e, no meio da minha expedição, o telefone tocou. Era a Lu e, bem, como tinham muitos babados, acabei ficando uma hora e meia no telefone. Agora eu realmente precisava achar alguma coisa naquele jornal e o mais rápido possível.
Finalmente, depois de um alonga busca, encontrei uma notícia de uma mulher que tinha pedido sepração do marido, pois ele era muito vaidoso. Achei aquilo a coisa mais bizarra e resolvi tentar escrever uma crônica humorística sobre o assunto. A grande questão agora era: como começar?
Ligo o computador e coloco no Google: "como começar uma crônica". Enquanto abria a página, resolvi checar meu facebook, formspring, orkut, postar uns desabafos no twitter, conversar com a galera no msn, até que me lembrei do bendito intuito de eu ter ligado meu computador. Começo a ler uns textos que tinham aparecido, mas nada parecia bom o suficiente para o começo da minha redação. Precisava de algo perfeito!
Decido desligar o computador e tomar um banho, para ver se aparecia uma luz no fim do túnel, enquanto eu relaxava debaixo da água quente. Tenho, então, uma ideia sensacional, me enxugo rapidamente e saio correndo, ainda meio molhada, pela casa. Como quase não sou desastrada, levo um tombo e minha perna começa a sangrar.ÓTIMO, era tudo que eu precisava. Nessa situação, tive que perder meu preciosos tempo fazendo curativo e tentando fazer parar de doer aquele corte. Acabei esquecendo a minha ideia genial.
Um pouco melhor, sento na cadeira, porém não acho meu lápis, fico um tempo procurando e, quando finalmente acho, o interfone toca e tenho que ir pegar uma encomenda lá embaixo. Quando estou subindo, as luzes se apagam e o elevador para. Pronto, agora eu estava presa no elevador, sozinha, com um corte na perna, no escuro, com uma encomenda que tinha um cheiro hirrível e com minha escrivaninha me esperando, com uma folha de papel em cima, no qual deveria ser escrita um crônica.
Durante a uma hora em que fiquei presa, consegui ter uma ideia muito boa para escrever a crônica, ela estava praticamente pronta na minha cabeça, acho que o Chico Xavier tinha baixado em mim. Cheguei em casa e fui escrever. Foi o melhor texto que escrevi em toda minha vida, iria tirar uma ótima nota e não iria repetir de ano. Era bom demais para ser verdade.
Deixei a folha em cima da minha cama e fui jantar. Quando voltei, encontrei pedacinhos de papel picados pelo meu quarto inteiro, olhei para baixo e vi Damon, meu cachorro, com a única coisa que restava da minha crônica em sua boca: o pedaço em que meu nome estava escrito.
Nunca quis tanto matar alguém em toda minha vida, o que eu iria falar para o professo? "Meu cachorro comeu minha redação professo, aliás, era um texto magnífico, o senhor iria gostar". Óbvio que não iria adiantar, eu já havia dado essa desculpa uma vez, entretanto, agora era realmente verdade.
Desesperada, decido entregar uma cópia desse desabafo para o professor e, tudo que posso dizer, é que o primeiro dia de aula do segundo colegial está sendo maravilhoso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Infidelidade Onírica

Tudo começou com um choro de mulher no apartamento vizinho. Era por volta das seis e meia da manhã - eu ainda tomava meu café - quando ouvi a mesma moça gritando e chorando. Não me assustei. Ela provavelmente estaria brigando com outro namorado, o que era muito frequente.
Eu não estava bisbilhotando, era simplesmente inevitável escutá-la. Frases como "E eu pensava que você fosse diferente! Mas não, vocês são todos iguais!". O tal homem tentava em vão acalmá-la. Ela chorava.
Comecei a me perguntar se ela tinha algum problema. Afinal, aquela deveria ser a quarta ou quinta vez que ela acordava em prantos e expulsava o namorado com a mesma ladainha. "Não é da minha conta", pensei. Fez-se silêncio.
De súbido ouvi ruídos como o de vidros se quebrando. O homem, já sem a paciência de antes, começou a gritar: "Você é louca! Não pode fazer isso! Pare!". Ela chorava ainda mais alto.
"Droga, tenho que me mudar logo daqui", lembrei. O lugar era terrivelmente barulhento. Qualquer tentativa de concentração era um fracasso. E eu ainda corria o risco de ser chamada de intrometida se tentasse interferir ou ajudar de algum modo. Impossível me manter no meu estado zen.
Agora era possível perceber que ela atirava as roupas dele pela janela, enquanto ele berrava: "O quê você quer que eu diga? Que estava bêbado? Que sinto muito por algo que..." - Não pude entender o restante da frase. Mas era visível que se tratava de traição, como das outras vezes.
Olhei para o relógio: Sete horas. Senti um certo alívio ao trancar a porta, e desci as escadas, disposta a recomeçar o dia. Porém esse alívio foi logo interrompido por um estrondo, seguido do barulho do homem descendo as escadas, revoltado. Passou por mim murmurando palavras impublicáveis. "Por Deus!", pensei.
- Curioso, não? - Era Dona Irma, outra vizinha que surgira, percebendo meu espanto.
- Mas o quê há de errado por aqui? Por que essa pobre moça não consegue achar sequer um homem fiel?
- Fiéis eles são... - Disse ela em tom misterioso.
- Então...? - A velha fitava o além. - Qual é o problema? - Perguntei outra vez, preocupada vendo que iria me atrasar.
- Eu disse que eles são fiéis. Nos sonhos dela é que não são.
- Como assim? - Perguntei por impulso, apesar de ter entendido bem.
- É isso mesmo. A moça sonha que o rapaz a trai, e assim que acorda quer tirar satisfações com ele. Ou seja, faz esse escarcéu.
Sem saber o que dizer, simplesmente saí, pensando: "Poxa vida... E eu preocupada em estar zen!"

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dislexia

- Henrique, entregue esse bilhete ao porteiro do Residencial Maria Botelho, peça para ele entregar para a moça do 202, em mãos.
Henrique faz o que Ricardo lhe pediu. Mais tarde Cida chega ao prédio onde mora e o porteiro lhe dá um envelope e diz:
- Dona Cida, pediram para lhe entregar em mãos.
- Obrigado, seu Zé... Mas quem mandou? Não tem remetente.
- Um moço, mas não disse o nome e nunca o vi.
- Tudo bem, obrigado.
Ela sobe ao seu apartamento e abre o envelope. Nele está escrito:
"Querida, estou com saudades, estarei esperando por você no lugar de sempre às 8h, beijos do seu bebê."
Local de sempre? Meu bebê? Que coisa doida!Acho que o seu Zé se enganou. Resolve descer até a portaria.
- Seu Zé, acho que o senhor se enganou, não é pra mim não.
- A senhora não é do 202?
- Sim.
- Então está certo!
Enquanto Cida continua a se questionar sobre o bilhete e dando graças a Deus por seu marido não ter chego antes dela e pego o bilhete, na rua em frente ao prédio:
-Era esse aqui, né Ricardo? - Pergunta Henrique, apontando pra o Residencial Maria Betânia, onde Cida mora.
- Não! É o Residencial Maria Botelho!
- Entreguei...

A BSH

Hoje acordei cedo como de costume fui direto direto para a cozinha, aqueci a água para preparar o café e fui para a padaria. No caminho de volta, a banca de revistas já estava aberta, então resolvi comprar o bom e velho jornal semanal.
Esportes, como sempre polêmicas sobre doping, técnicos que vão e voltam. Na manchete do Jornal, gráficos imensos e um título maior que o normal escrito "E.U.A enfrenta nova crise financeira". Como isso pode acontecer? Afinal os E.U.A. são os maiores credores, a grande potência mundial. Enquanto três páginas do jornal ilustravam tudo sobre o mercado econômico dos países desenvolvidos, quase nada se falava sobre os efeitos colaterais que os países subdesenvolvidos sofriam com a crise.
A crise financeira abalou o cenário econômico dos E.U.A., porém os problemas sociais que isso gera não afeta todas as economias da mesma maneira e como sempre, a corda arrebenta do lado mais fraco.
Permaneci lendo. Quando cheguei a última página do jornal vi uma sucinta reportagem sobre 29 mil crianças que morreram de fome na Somália, informando que a subsecretária para Assuntos Humanísticos das Nações Unidas havia conseguido menos da metade do dinheiro necessário para o combate à fome, esta ainda afirmava que a crise não havia atingido seu ponto máximo, o que dificultava ainda mais essa arrecadação.
Fiquei perplexo, pois afinal a mídia diante de uma situação dessa dava maior destaque para os danos sofridos pelos americanos enquanto os pobres somalianos deveriam se contentar com uma mera e minúscula reportagem, a qual poderia despertar o instinto humano para fazer doações para reverter essa situação de fome e miséria.
A crise atinge alguns no bolso e outros no estômago e, de fato, é o bolso quem preenche a manchete.
Terminei de ler, refleti e cheguei à conclusão de que o humanismo fechou em baixa na BSH, Bolsa de Sentimentos Humanos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Regressão

Hoje,talvez,possa dizer que o tão esperado dia chegou. Depois das meras lembranças que passaram a minha cabeça pude lembrar da imagem da mamãe acenando com o olhar triste ao me deixar pela primeira vez na escola. O sentimento ficou até nostálgico ao me lembrar das sextas-feiras separando e arrumando os brinquedos para poder levar para o “dia dos brinquedos”. E a hora do soninho...ai, a hora do soninho...todos ali deitados, ouvindo aquela velha história, apenas relaxando e esperando o sono chegar.
Porém os anos se passaram, primeiro veio as trocas de professores, depois se acostumar a não chamar mais o professor de “tio” afinal, não era legal ficar ouvindo: ”ele é irmão do seu pai ou da sua mãe ?”.Por fim, acabaram com o “dia dos brinquedos”,agora era o “dia oficial das Provas”.Mas como nos adaptamos com tudo nessa vida,não foi difícil se acostumar com aquela nova fase.
Agora,sentada aqui nessa carteira,posso até falar que tudo passou rápido,daqui a alguns anos,lá na sala da faculdade,posso até lembrar desse momento e dizer:”Nossa como já faz tempo aquele meu ultimo dia de aula em que eu estava escrevendo aquela crônica para a professora de técnica de redação”.Talvez até sinta saudade dos meus amigos que prometeram não se afastar,das pequenas e bobas preocupações com as provas,das risadas depois de uma bela carcada.
Pensando bem,apesar de reclamar todos os dia e pedir que estes últimos momentos aqui na escola chegasse,não sei se estou feliz em,hoje,deixar parte da minha vida e partir para uma nova e,espero,surpreendente fase.Mas,como dito,nos adaptamos com, tudo nessa vida e agora vai ser apenas mais um aprendizado.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Proposta de produção textual 8/09


Tendo em vista a importância das discussões sobre o tema da igualdade de gênero, a fim de contribuir para o empoderamento dessa parcela da sociedade há tanto discriminada – as mulheres –, várias ações públicas estão sendo realizadas, como a 3ª Conferência Regional para as Mulheres, realizada na Câmara Municipal de São José do Rio Preto, e o concurso “Construindo igualdade de gênero”.

Outra ação afirmativa voltada para as mulheres diz respeito ao “Plano Plurianual (PPA) 2008-2011, proposto pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e o Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres, que é parte da agenda social do governo federal. Sendo assim, o Programa Cidadania e Efetivação de direitos das mulheres PPA 2008-2011 propõem uma série de ações no sentido de trabalhar em prol desses direitos. Tais ações são organizadas em áreas, a saber: “fortalecimento da cidadania e ações de maior abrangência”, “trabalho”, “saúde” e “Educação”. Ademais dessas ações, foi criado o “Pacto Nacional pelo enfrentamento da violência contra as mulheres”, que, dentro de suas quatro áreas, propõe o “Consolidação da Política Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres e implementação da Lei Maria da Penha”

Assim diz o relatório:
“As ações de apoio tanto a iniciativas de prevenção da violência
contra a mulher, quanto aos serviços especializados de atendimento e capacitação dos
profissionais da rede foram pontualmente reformuladas, mas, em função do lançamento
do Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres – que agrega
ações de diferentes órgãos do governo federal e prevê investimentos maciços na área –
tiveram seus recursos significativamente ampliados e a estratégia de implementação
alterada3 (ver a seguir). Para além desse tipo de intervenção, três novas ações foram propostas:
i) Apoio a Projetos de Fortalecimento dos Direitos Humanos das Mulheres em
Situação de Prisão – que amplia o conceito de violência contra as mulheres, incorporando a dimensão da violência institucional e é fruto da articulação da SPM com o Ministério da Justiça, materializada no grupo de trabalho para a implementação de políticas públicas voltadas para as mulheres presas, seus filhos e sua família; ii) Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) que até o momento vinha sendo financiada pela ação de apoio a serviços especializados, apesar de suas características diferenciadas, uma vez que é um serviço oferecido diretamente pela secretaria e que funciona muito mais como uma porta de entrada na rede de atendimento do que um serviço dela integrante; e iii) implantação do Sistema Nacional de Informações sobre a Violência contra a Mulher – importante e antiga demanda de todos que trabalham com a questão da violência contra as mulheres e que foi prevista na Lei no 11.340/2006 – Lei Maria da Penha.4
Em decorrência das reformulações no objetivo e na estratégia de implementação
do programa, os indicadores definidos para acompanhamento das ações também foram
alterados. No PPA 2004-2007, os dois indicadores do programa diziam respeito às
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), que, apesar de serem
objeto de permanente atuação da SPM e de sua articulação com o Ministério da Justiça,
referem-se a apenas um serviço da rede de atendimento – que é composta, ainda, por
centros de referência, casas-abrigo, defensorias públicas, juizados especiais, entre outros.
Nesse sentido, no novo PPA esse indicador foi estendido para apurar a ampliação do
número de serviços de atendimento à mulher vítima de violência no país. Além disso,
manteve-se aquele relacionado ao número de registros de ocorrência nas Deams e foram
inseridos novos indicadores relacionados aos atendimentos realizados pela Central de
Atendimento à Mulher e pela Ouvidoria da SPM, além daqueles destinados a acompanhar a capacitação dos profissionais de toda a rede de atendimento”.


Tomando como base esse trecho do relatório do Plano Plurianual, as discussões feitas em sala de aula, bem como os textos de apoio abaixo, redija um texto sobre o tema: “Violência contra as mulheres: em busca de políticas públicas para enfrentar esse problema de discriminação de gênero”. O texto pode pertencer à qualquer gênero textual, desde que aborde a temática da violência contra a mulher, com o objetivo de se discutir a questão da igualdade de gênero, refletindo, portanto, sobre políticas públicas para o enfrentamento desse problema.

Relato da história de Maria da Penha:
Pensei que meu casamento fosse durar para sempre. Meu relacionamento com meu marido era muito bom. Fazíamos especialização na mesma sala. Depois do nascimento da nossa segunda filha, ele se transformou. Nesse período começou a minha tortura, os maus tratos, as agressões físicas e psicológicas até que ele cometeu esse ato de extrema violência deixando-me paraplégica. Fiquei hospitalizada durante quatro meses. Após o meu retorno para casa começou um outro sofrimento, ele me mantém em cárcere privado e dizia que o meu acidente era decorrente de um assalto. Ninguém acreditava na minha versão, nem mesmo a minha família. Mas graças a minha luta e perseverança consegui provar para todos e para minha família que era vítima de meu marido. Depois do ocorrido ele mudou de cidade e continuou a exercer sua profissão de professor universitário. Oito meses depois ele foi preso e indicado pela Secretaria de Segurança, cumprindo uma pena de dois anos. Solicitou transferência e está cumprindo pena em regime semi-aberto, por isso acho importante divulgar essa lei, relatou Maria da Penha (FERNANDES, 1994).

Artigo 226 da Constituição Federal do Brasil:
§ 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

Lei Maria da Penha no. 11.340/2006
Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Art. 2o Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bem-vindos ao blog dos gênios!!


Olá pessoal!!

Sejam todos muito bem-vindos ao blog dos gênios!! Esse blog foi criado com objetivo de vocês poderem partilhar seus textos, fazer comentários nas produções dos colegas, além de poderem postar textos e vídeos sobre temas atuais e relevantes para discutirmos nesse espaço virtual.

A ideia é extrapolarmos o espaço da sala de aula para podermos ampliar nossas interações, práticas escritas e nosso conhecimento!

Nesse primeiro momento, aguardamos a publicação das crônicas de vocês!

Abraços,
Marília e Rodrigo